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Desde: 04/03/2005      Publicadas: 18      Atualização: 15/04/2005

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  12/04/2005
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Por uma mídia mais democrática Por Renata Mielli

Há uma necessidade emergencial dos setores sociais organizados investirem numa comunicação alternativa, que faça frente à massificação da grande mídia capitalista. E hoje, mais do que nunca, isso é possível através da internet. Esse foi um dos consensos do debate


Por Renata Mielli, do Portal Vermelho, março 2005

Há uma necessidade emergencial dos setores sociais organizados investirem numa comunicação alternativa, que faça frente à massificação da grande mídia capitalista. E hoje, mais do que nunca, isso é possível através da internet. Esse foi um dos consensos do debate "A luta pela democratização dos meios de comunicação", realizado ontem no 14º Congresso Latino-americano e Caribenho de Estudantes, que fez críticas profundas ao jornalismo praticado pela grande parte dos veículos nacionais e apostou na internet como um dos instrumentos potenciais da democratização da informação. Participaram do debate o editor do Portal Vermelho, Bernardo Joffily, Mino Carta, diretor de Redação da Revista Carta Capital e Antonio Martins, representante do Le Monde no Brasil.

Antonio Martins enfatizou as formas da dominação capitalista que se espalha não somente pelos "parlamentos, nem só pelos Estados Nacionais, nem só no mundo do trabalho, na produção. Uma esfera muito importante dela é a ideologia, e como disse um jornalista do Le Monde, a imprensa se transformou no novo cão de guarda do capitalismo". Ele explicou que esse processo não ocorre somente pelos mecanismos mais rudimentares como a censura, mas também pelas formas de "como escolher e hierarquizar as informações, de modo que o principal não apareça. São táticas de ocultamento, de nomeação indevida das coisas". Essa situação, segundo o jornalista, nos torna "cada vez mais expectadores e menos cidadãos na relação com a informação".

Ao mesmo tempo em que desenha um cenário profundamente crítico da comunicação, Antonio Martins também vê possibilidades de criar uma rede alternativa. Segundo ele está se multiplicando no mundo "formas de contra poder nas comunicações. Idéias como observatórios dos meios de comunicação são importantes. Também a criação de redes de publicação independentes, que eu acho que é o mais eficiente para um grande número de organizações, de entidades, de grupos de pessoas interessadas em transformar o mundo". Ao lado disso, ele apontou algumas experiências democráticas como a da TV Al Jazeera, o advento da internet, e dos blogs, que abrem novas perspectivas para a informação.

O editor do Portal Vermelho, Bernardo Joffily, concorda com Martins, principalmente no papel democrático que a internet pode cumprir. "Nessa área de comunicação entre seres humanos estamos presenciando uma revolução que ocorre num ambiente contra-revolucionário, intoxicado e envenenado pela má comunicação. O epicentro dessa revolução é a internet. Aos 54 anos fico com o queixo caído com as possibilidades que essa rede cria para a libertação cultural, intelectual, e porque não econômica e social", disse muito entusiasmado.

Joffily fez um breve histórico de como surgiu a internet, a partir da necessidade de o Pentágono garantir uma rede mais confiável de comunicação durante a guerra fria. Após a guerra, a pressão comercial sobre a utilização da rede acabou abrindo a internet, que desde então não parou de crescer. Para exemplificar, perguntou para os estudantes que assistiam ao debate, cerca de 150 pessoas, quantos não haviam acessado a internet no ano de 2005. Ninguém levantou o braço.

Apesar da idéia que norteou o surgimento da internet ter sido conservadora e conter um forte conteúdo controlador e antidemocrático, a sua massificação acabou invertendo a lógica inicial, transformando a rede mundial de computadores num instrumento privilegiado para divulgar idéias progressistas e transformadoras. "Não existe mais censura da imprensa nos dias de hoje, e foi a internet que permitiu isso. Ela é universal, interativa e barata e, com ela, pela primeira vez os despossuídos do mundo podem se comunicar praticamente de graça".

O mais pessimista e crítico dos três debatedores foi o jornalista Mino Carta. Para ele "nós (brasileiros) temos uma das piores imprensas do mundo. Além de mentir e enganar ela tem uma qualidade baixíssima, porque foi propositalmente nivelada por baixo, para aviltar a língua que é nossa pátria, e os jornalistas assumiram isso".

Para Mino, que se autodeclara um "velho jornalista", a mídia com raríssimas exceções sempre serviu ao poder no Brasil e no mundo. "Nós carecemos muito de informação corretamente dirigida. Estamos submetidos diariamente a uma avalanche de informações, valendo-se de todos os canais possíveis e imagináveis, mas a maioria das veiculações são totalmente inúteis e muitas vezes desviam a atenção daquilo que é realmente crucial, central, determinante". Ele não perdeu a oportunidade de criticar as revistas Isto É, Veja e Época que, "por causa da luta por tiragem se tornaram publicações anódinas que se limitam a contar histórias banais". "Ou acontece essa revolução da internet", disse Carta se referindo à idéia apresentada por Joffily, "ou as coisas vão piorar muito".


fonte: Portal Vermelho




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